Embora as águas estejam baixando em Lajeado e no Vale do Taquari, deixando à mostra um cenário desolador nunca antes visto ou imaginado no Estado do Rio Grande do Sul, a consorciada do STHEM Brasil, Universidade Vale do Taquari (Univates), tem ajudado as comunidades e as empresas do seu entorno. A instituição abraçou o Movimento Cozinha Solidária, encabeçado pela coordenadora em Ambiente e Desenvolvimento da instituição, Cíntia Agostini, e o chefe de cozinha João Gabriel Müller.

Segundo a direção da Univates “todas as suas unidades e seus espaços estão em funcionamento. Os laboratórios, clínicas, salas, prédios, etc, estão todos funcionando e praticamente não houve perdas materiais. São mais de 30 empresas que estão usando as estruturas da instituição para tentar tocar minimamente os seus negócios. Foram disponibilizados espaço, energia, água de poço artesiano, Wi-Fi, etc., e no campus também estão alojadas as Forças Armadas (Exército), Defesa Civil, Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul e de outros Estados, albergue para forças especiais, espaço para pouso de helicópteros, e até IML”.

O chefe de cozinha João Gabriel Müller, filho de colonos de Santa Cruz, conta que “tanto a Univates quanto os municípios e as organizações sociais da região estão mais bem preparados agora, na maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul, do que estavam em setembro de 2023, quando ocorreu a segunda maior enchente, ou em novembro de 2023, na terceira maior da história”. Ele relata que “foi nesse período que iniciamos o movimento Cozinha Solidária, em setembro do ano passado, em Lajeado e no Vale do Taquari. Eu era um cozinheiro, mas acabei assumindo a cozinha, fiz uma análise do que estava sendo servido, porque chegavam muitas doações e tínhamos de nos virar com que chegava. Montei um cardápio e, em 23 dias de operação, chegamos a ter uma equipe de 50 pessoas voluntárias e servimos mais de 30 mil refeições”, lembra.

Segundo Müller, “o Cozinha Solidária surgiu dessa necessidade premente de atender os desabrigados das chuvas e os voluntários, e voltou agora com força total e era supra Univates. Mas a Univates tem um papel fundamental porque cedeu as cozinhas dos nossos cursos de gastronomia e nutrição, que estão sendo usadas para a produção de cerca de três mil refeições/marmitas diárias para os desabrigados e para os trabalhadores voluntários espalhados pelas cidades da região”. O chefe de cozinha ressalta que “essa produção de refeições está sendo possível com o trabalho voluntário de mais de 50 pessoas, entre alunos, professores, coordenadores e funcionários da instituição e de toda a comunidade. E parceiros como o Luis Henrique Guth, da Quiero Café, que está nos auxiliando na preparação das refeições e na distribuição. Recebemos muitas doações de alimentos. Há também toda uma logística de voluntários, jipeiros, motoqueiros, e também do pessoal da Marinha, para fazermos diariamente as entregas”.

Depois de tanto tempo no voluntariado, Gabriel Müller diz que “o trabalho será mantido pelo maior tempo possível, mas nós temos de voltar à nossa vida, isso é fundamental. Quem tem emprego vai ter de voltar a trabalhar, quem tem empresa também, para que o comércio gire. E a cozinha está trabalhando com a ajuda de parceiros como a Quiero Café que ajudou a profissionalizar melhor o trabalho e deixou meus ombros menos pesados”.

Da esquerda para direita: o barista Luis Henrique Guth e o chefe de cozinha João Gabriel Müller

Luis Henrique Guth, da Quiero Café, conta que no início das enchentes sua empresa estava sem luz e sem água. “Nos abraçamos com paletes de água para fazer as refeições, e nos primeiros dias a gente não sabia para quem enviava as duas mil marmitas. Foi quando nos solidarizamos com o Gabriel, nos abraçamos nessa jornada. E para a minha família, que teve um apartamento todo tomado pelas águas e lama, eu tive de dizer: ‘não tenho como ajudar na limpeza, são duas mil pessoas que não vão comer hoje se eu não for trabalhar’. Nós estávamos enviando refeições para pessoas em um abrigo, e um prato de comida era um carinho que a pessoa ia receber no dia”, relata o barista.

João Gabriel Müller e Luis Henrique Guth finalizam dizendo que o Cozinha Solidária é um movimento que precisa crescer e se reproduzir em várias iniciativas semelhantes. “Muitos voluntários gostariam de fazer também, mas não sabem como. Temos de ensinar como fazer, ter mão de obra preparada e uma rede para atender, não só em momentos difíceis como esse, porque tudo isso vai acabar, mas a fome não vai acabar”.

Se você quiser ajudar o Movimento Cozinha Solidária na Univates basta encaminhar um PIX para: [email protected].